Brassagem Forte

A Hora Ácida #11 – Topzeira Ácida

Ep. 317 · março 30, 2026 · com Diego Rzatki
Ouça também em: Spotify ↗ YouTube ↗

Sobre o episódio

Há anos, Diego Rzatki, da Cozalinda, defende que cervejas ácidas brasileiras têm identidade e qualidade suficientes para competir com qualquer cerveja do mundo. Em 2026, o Concurso Brasileiro de Cerveja deu uma resposta incontestável: pela primeira vez na história do evento, o Top 3 foi formado inteiramente por cervejas ácidas, e todas com estilos 100% brasileiros.

Neste episódio do Brassagem Forte, Henrique Boaventura e Diego analisam cada medalha, os bastidores e o que esse resultado significa para o mercado.

O Brassagem Forte conta com a parceria da Hops Company, da Levteck, da EZbrew e da Cerveja Stannis.

Um resultado inédito, e sem lobby

O detalhe que torna esse resultado ainda mais significativo é que o júri da rodada final era composto majoritariamente por juízes estrangeiros. Portanto, não se trata de brasileiros premiando brasileiros por bairrismo: são palatos internacionais reconhecendo execução técnica impecável e inovação genuína. Conforme a juíza e cavaleira da Ordem dos Cervejeiros Belgas Dayane Coller destacou em seu depoimento, houve quase unanimidade sobre as três primeiras colocadas, algo que raramente ocorre em finais competitivas.

Bronze: Caatinga Rocks – Manipueira Selvagem

A Manipueira Selvagem – fermentação feita com micro-organismos capturados da fermentação espontânea do suco de mandioca – estreou no CBC como categoria própria e já subiu ao pódio geral. Diego foi um dos consultores do Ministério da Agricultura na criação do artigo que regulamentou bebidas vegetais fermentadas, abrindo espaço para o estilo entrar oficialmente no concurso.

A Caatinga Rocks, cervejaria nordestina, demonstra ainda que temperatura alta não é inimiga das ácidas complexas; pelo contrário, pode ser um fator diferencial de terroir. Além disso, o mesmo produtor havia inscrito a cerveja no World Beer Cup como Historical Beer e chegou à rodada final sem medalha. O reconhecimento brasileiro chegou primeiro!

Prata: Faroeste Pina Colada – Catarina Sour

A Catarina Sour, estilo já consolidado em concursos caseiros e profissionais, conquista novamente o pódio, com o rótulo da Faroeste Beer. O estilo tem identidade clara: fermentação lática com frutas locais e expressão cítrica característica do litoral catarinense; e conta até com defensores internacionais como Gordon Strong, do BJCP.

Vale notar que o alto número de inscrições nessa categoria torna cada medalha ainda mais difícil de conquistar. Consequentemente, chegar ao Top 3 geral com uma Catarina Sour representa uma consistência técnica difícil de questionar.

Ouro: Patanegra Kakaku Wood – Quick Sour com amburana e fruta brasileira

A grande campeã chegou com uma proposta diferente das outras duas: não é uma fermentação complexa, mas uma quick sour (Berliner de processo acelerado) com fruta brasileira e amburana, a madeira que Diego define como “a cara da escola cervejeira brasileira”. O tempo de contato com a madeira foi de apenas 60 dias, suficiente para trazer equilíbrio sem dominar o perfil.

O ponto central aqui é que a complexidade não precisa vir exclusivamente da fermentação. Neste caso, a da Patanegra emerge da combinação de fatores: acidez refrescante, fruta local e a especiaria única que a amburana entrega. Portanto, é uma cerveja acessível e ao mesmo tempo distinta, uma combinação que cativa tanto o juiz experiente quanto o consumidor.

O que ficou de aprendizado

  • Pela primeira vez no CBC, o Top 3 foi 100% ácido e 100% brasileiro, com um júri majoritariamente estrangeiro;
  • A Manipueira Selvagem se consolida como estilo nacional ao vencer já no primeiro ano como categoria oficial;
  • Amburana é o ingrediente que mais representa a identidade da cerveja ácida brasileira para o mundo externo;
  • Complexidade não exige fermentação complexa; a combinação de ingredientes locais bem executados chega ao mesmo resultado;
  • Temperaturas altas do Nordeste podem ser um diferencial de terroir, não um obstáculo para fermentações ácidas.

Ouça o episódio completo

Este post é um resumo do que foi discutido no episódio. Para ouvir os áudios de bastidores com os produtores das cervejas campeãs e a análise completa com Diego, acesse o Brassagem Forte no Spotify, YouTube ou no seu agregador de áudio favorito.

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