Sobre o episódio
Como fazer uma Heineken com menos álcool, menos calorias, sem glúten, e ainda assim garantir que ela seja reconhecida como Heineken logo no primeiro gole? Esse foi o desafio por trás da Heineken Ultimate, lançamento que uniu tradição e inovação em uma marca com mais de 150 anos.

Neste Surra de Lúpulo, Ludmyla Almeida conversou com Rozilene Sá, gerente corporativa de produção da Heineken Brasil, e Natália Tolazzi, especialista em fermentação, sobre desenvolvimento, mudanças de consumo e protagonismo feminino.
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Menos álcool sem perder a assinatura Heineken
A Heineken Ultimate chega com 3,5% de álcool e 30% menos calorias, além de ser sem glúten. Para Rozilene, no entanto, o principal desafio não estava apenas em atingir esses números, mas em preservar a assinatura sensorial da marca.
Não houve uma única etapa responsável pelo resultado. Foram necessários ajustes na brassagem, na fermentação, na filtração e em outros pontos do processo. Afinal, reduzir o teor alcoólico interfere no equilíbrio de aromas, sabores e corpo.
Natália resume que a intenção é que o consumidor coloque a Ultimate e a Heineken regular lado a lado e tenha dificuldade de identificar diferenças. Nesse sentido, a redução de calorias aparece como benefício adicional, e não como a principal característica do produto.

Como uma cerveja se torna sem glúten
Outro ponto foi a remoção do glúten. A base continua sendo o malte de cevada, fonte natural dessa proteína. O caminho, portanto, não é criar outra receita, mas adaptar o processo para quebrá-la, com atenção especial à prolina.
Depois disso, é preciso impedir contaminações cruzadas. Em grandes operações, isso envolve protocolos rigorosos de limpeza entre produções com e sem glúten. Segundo Rozilene, até a água de enxágue dos equipamentos é testada antes de a cerveja sem glúten passar pelas linhas.

Além disso, a consistência precisa ser garantida lote após lote. O controle começa nas matérias-primas e segue até o envase, passando por parâmetros de processo, microbiologia, análise sensorial e saúde da levedura.
A levedura, aliás, é decisiva. Natália explica que sua saúde interfere no aroma, sabor e desempenho fermentativo. Em outras palavras, a repetibilidade depende de uma cadeia de controles coordenada.
Uma resposta a novos momentos de consumo
A Ultimate faz parte de uma plataforma global da Heineken voltada a escolhas mais equilibradas, mas o Brasil foi o primeiro mercado do mundo a recebê-la. Para produzi-la, não foi necessário criar novas instalações. O desafio foi adaptar estruturas existentes e implantar o produto aos poucos.
A expansão para o restante do país está sendo feita em fases. Segundo Rozilene, não se trata de limitação de capacidade produtiva, mas de estratégia para acompanhar cada cervejaria que passa a produzir o rótulo. A distribuição começou pelo Sudeste e deve alcançar todo o país em 2027.
Esse lançamento responde a uma mudança de comportamento. Natália observa que a cerveja zero álcool deixou de ser vista apenas como produto de restrição e passou a representar uma escolha em determinados momentos. A Ultimate ocupa outro espaço: fica entre a cerveja tradicional e a zero álcool, atendendo quem busca reduzir o álcool sem abandonar a experiência de uma cerveja premium.

Mulheres liderando inovação cervejeira
Rozilene tem 25 anos de indústria cervejeira e afirma ser a primeira mulher a ocupar sua atual posição entre as grandes cervejarias. Hoje, lidera um time de oito especialistas — cinco deles, mulheres.
Para ela, liderar um projeto dessa magnitude ajuda a mostrar que talento, entrega e capacidade técnica não dependem de gênero. Ao mesmo tempo, a visibilidade importa: ver mulheres em posições técnicas e de liderança amplia a percepção de possibilidades dentro da indústria.

Natália, com nove anos de mercado, destaca que conhecimento técnico é fundamental, mas não basta. É preciso entender o consumidor, o momento do mercado e transformar tudo isso em uma cerveja que faça sentido para as escolhas atuais.
Mais do que um novo rótulo
A Heineken Ultimate nasce, portanto, da combinação entre engenharia de processo, controle de qualidade e leitura de comportamento. Seu desafio foi mudar características importantes sem romper com a identidade sensorial da Heineken.
Ao oferecer menos álcool, menos calorias e ausência de glúten, a marca tenta ocupar um espaço relevante: o de consumidores que continuam escolhendo cerveja, mas querem mais possibilidades dentro dessa relação.

Leia e ouça também o Episódio #178 – Os mistérios da fermentação cervejeira, com Rozilene Sá