Surra de Lúpulo

Podcast “Surra de Lúpulo”, ep. 68: IPA Day com Guilherme Hoffmann e Marta Rocha

Ep. 68 · agosto 5, 2021
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Sobre o episódio

No episódio 68 do nosso podcast sobre cervejas artesanais, Surra de Lúpulo, é hora de comemorar o IPA Day com Guilherme Hoffmann e Marta Rocha. Os especialistas contam todos os detalhes desse tipo de cerveja que é apaixonante em seu amargor e divina em seus aromas.

IPA Day com Guilherme Hoffmann e Marta Rocha

Celebrado toda a primeira quinta-feira de agosto desde 2011, o IPA Day é um movimento para promover engajamentos em torno da IPA, especialidade da Goose Island.

IPA é a abreviação de um estilo de cerveja originário da Inglaterra, a India Pale Ale.

Conhecendo nossos especialistas

Guilherme Hoffmann é cervejeiro da Goose Island. Começou a carreira na cozinha, onde descobriu e se apaixonou pelo mundo da cerveja, em especial a produção. Formado em gastronomia, focou em se aproximar cada vez mais desse mercado, fazendo cursos de tecnologia e se formando em técnico cervejeiro. Atua também como sommelier de cervejas e, em 2016, topou o desafio de montar Brew Pub da Goose Island. Para isso, fez treinamento em Chicago por 2 meses.

“Falar de IPA é a coisa mais gostosa que tem”.

Marta é mineira de Viçosa, terra do melhor doce de leite do país e hoje mora em Ribeirão Preto, terra do chopp. Tem formação acadêmica em Biologia, mas conta que não tinha brilho nos olhos até fazer o curso de sommelier de cerveja para descansar a cabeça após 7 anos sem férias de pós-graduação.

“Saí do curso apaixonada e quis trabalhar com isso”.

História da IPA

Uma das cervejas mais conhecidas mundialmente, a IPA, abreviação de India Pale Ale, tem sua origem datada de séculos atrás e Marta compartilha uma das teorias sobre a criação da bebida, apesar de não haver documentos que comprovem a história.

“Existe uma lenda sobre a história da cerveja que era enviada para as Índias. A viagem demorava muito tempo e a cerveja chegava meio ruinzinha lá. O pessoal descobriu, meio sem querer, que colocando um pouco mais de lúpulo, ela durava, resistia à viagem. Então começou a se chamar de India Pale Ale aquela que já era feita, turbinada no lúpulo pra aguentar a viagem”.

Diferentes tipos de IPA

Conhecida pelo seu amargor e aroma trazido pela surra de lúpulo que faz parte de sua composição, a IPA tem aparecido com diferentes propostas ao longo dos anos, graças à criatividade dos cervejeiros.

“A gente tem a IPA inglesa, que é a original. Daí, vem os americanos com escola cervejeira mais nova reproduzindo esse estilo, mas com características de seu famoso terroir, com os lúpulos americanos”.

A partir daí há uma diferença entre os estilos, pois a IPA inglesa traz um tom mais herbal e terroso, enquanto a IPA americana vai para um lúpulo mais frutado, abrindo a possibilidade também de diversas subdivisões, como a Session IPA e a Double IPA.

Devido à variedade, a IPA em alguns momentos pode se distanciar das suas características originais e nessa ‘polêmica’, nossos especialistas destacam a Milkshake IPA como a mais longe de uma verdadeira IPA, por ser mais adocicada.

O que é o lúpulo?

Em mais uma aula nesse episódio, Guilherme e Marta tratam de explicar mais sobre o ingrediente indispensável na produção da IPA, o lúpulo.

“Lúpulo é uma planta trepadeira que chega a uns 8 metros de altura. O que a gente usa dessa planta pra fazer cerveja são as flores femininas, porque são elas que contém as glândulas lupulinas. O primeiro registro do uso de lúpulo também é de uma mulher, no século XII, principalmente pela sua propriedade conservante. Lógico, ele tem o amargor, traz sabor e aroma, mas também tem a característica de conservar a cerveja por mais tempo. Naquela época que não tinha refrigeração, nada disso, o lúpulo foi extremamente importante no uso da cerveja”.

Ainda de acordo com eles, o uso do lúpulo importado, vem em sua maioria do novo mundo, pois são mais modernos, frutosos, cítricos e tropicais. Destacam-se os lúpulos vindos dos Estados Unidos, Nova Zelândia, Austrália e Patagônia.

O nascimento da Goose Island

A Goose Island nasceu após uma viagem de John Hall pela Europa, onde ficou apaixonado por aromas e sabores dos estilos de cerveja. Ao voltar para Chicago, começou a fazer cerveja caseira e, em 1988, abriu o pub, batizando-o de Goose Island, em homenagem a uma ilha da região.

Em 1992, o filho teve a ideia de começar a envelhecer as cervejas em barris de Bourbon para comemorar o milésimo lote da Goose Island, criando um novo tipo famosos entre nós, cervejeiros.

A exportação da cerveja só foi iniciada em 2006, chegando ao Brasil em 2015 e inaugurando o Brewhouse no final de 2016.

As IPAs da Goose

Na empresa, o principal foco é na democratização da cerveja, trazendo um sabor extremamente tropical e leve, através da Session IPA, que preserva as características principais, mas de uma forma mais light, com menos álcool e intensidade. A pessoa se encanta com os aromas e sabores em um amargor não tão impactante.

Nessa pegada também tem a Midway, com preço acessível, lata a R$6,99 para o público conhecer e entrar nesse universo.

O público da IPA

Marta traz dados de uma pesquisa da Goose Island nos Estados Unidos sobre consumo de IPA e destaca que, apesar do estilo ser o mais popular por lá, 66% das pessoas não tem ideia do significado da sigla. Além disso, 40% nunca experimentou uma IPA. Ou seja, há um mercado grande a ser explorado, inclusive no Brasil, onde menos pessoas conhecem.

A intenção é disseminar e democratizar a cultura cervejeira a fim de amadurecer o paladar do público, pois nosso mercado é muito menos maduro em relação ao consumo de cerveja artesanal.

Leandro destaca a importância de saborear pelo paladar e não só pela festa, bebendo menos, mas bebendo melhor. Lud acredita que é uma quebra de paradigma, mas com preços acessíveis como o da Midway pode ser um bom caminho inicial, além dos cursos e palestras gratuitas organizadas por Martha.

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