Surra de Lúpulo

Surra de Lúpulo #174: Anuário da Cerveja 2023 com Vitor Oliveira, do MAPA

Ep. 174 · agosto 17, 2023
Ouça também em: Spotify ↗ YouTube ↗

Sobre o episódio

No programa de hoje, vamos falar de um assunto que nós amamos muito: dados do mercado cervejeiro. O papo é sobre o Anuário da Cerveja 2023, recém liberado pelo MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária). Para isso, estamos com Vitor Oliveira, atualmente exercendo a Coordenação-Geral de Vinhos e Bebidas. Ouça na íntegra!

✨ Deixamos o nosso agradecimento aos Mecenas Empresariais: Cerveja da CasaIris PayCervejaria UçáViveiro Van de Bergen, The Beer Agency, Prussia Bier e Passaporte Cervejeiro.

✨ Participe da Pesquisa Retratos de Consumidores de Cerveja 2023 clicando aqui.

 

Conhecendo o convidado e o Anuário da Cerveja 2023: 

 

Foto de uma mulher de terno contabilizando a produção de cervejaVitor em 06’07’’: Bom, como você disse no início sou engenheiro agrônomo, entrei no ministério da agricultura em 2014, desde então trabalhando na área de Vinhos e Bebidas. Eu trabalhava no Espírito Santo, em Vitória. Em 2020, eu vim pra Brasília pra trabalhar aqui na coordenação de Vinhos e Bebidas e estou agora como coordenador de Vinhos e Bebidas também, até janeiro do ano que vem. Porque sou o substituto e a titular está em licença maternidade. Bom, sobre o anuário foi um projeto que começou em 2017 mais ou menos um paralelo com a câmara da cerveja aqui no ministério da agricultura. E a gente sempre teve muita demanda de números, pedindo números sobre cervejas. E a gente achou interessante na época criar o Anuário da Cerveja, que foi idealizado pelo Eduardo Marcusso, que já esteve aqui com vocês também. E ele deu início nessa primeira edição, e sobre quais números colocar foi aprimorado ao longo do tempo. Antes eram estabelecimentos registrados, produtos registrados. Nosso critério é que sejam dados confiáveis que nós, como MAPA, temos acesso. Expandimos para densidade cervejeira, número de habitantes. A partir do ano passado inserimos dados relativos à importação e exportação. Que são informações do governo, fontes confiáveis. E para o ano que vem, vamos incorporar cada vez mais de acordo com o cenário.

 

Gostaríamos que você, como organizador dos dados, nos contasse quais informações você ressalta como mais relevantes esse ano?

 

Vitor em 12’24’’: O crescimento incessante do setor, né. A gente visualiza ao longo do tempo; o recorte temporal que fazemos é de 2000 pra cá, né. E o crescimento é constante. E tem uma grande mudança de 2019 para frente em relação ao Registro de Produto. Porque em 2019 a gente criou a IME65, que trouxe a possibilidade de receitas que o antigo padrão não facilitava. Com o uso de frutas brasileiras, produtos de origem animal (mel, lactose), outros adjuntos… E como houve mudança desses dados, teve um crescimento enorme. A leitura que fazemos é que a maior oferta de cerveja nacional de qualidade dispensou as cervejas internacionais. A oferta de produto nacional aumentando e a importação de cerveja diminuindo. Estou em Brasília e aqui a gente encontra cervejas com frutas do cerrado, e lá fora não existe isso, né. 

 

Lud coloca em pauta que o dólar estava muito alto e que isso pode ter beneficiado as cervejarias brasileiras.

 

Uma das maiores dúvidas que ouvimos quando se fala do Anuário de Cerveja do MAPA é qual é o número de ciganas que temos no Brasil. Como o MAPA pretende obter essa informação?

 

Dois homens fazendo processo de envase em garrafa de cervejaVitor em 20’25’’: Essa questão da cervejaria cigana, o que acontece, esse número até hoje não apareceu nos anuários. Pro ministério da agricultura, a gente não registra ciganas. Isso é uma relação que existe entre o mestre cervejeiro, e ele não tem uma fábrica, então ele contrata a cervejaria, faz um contrato entre as partes. O que o MAPA tem? O registro dessa cervejaria que ele contratou. Mas se essa cervejaria está fazendo cerveja própria ou de terceiros, não sabemos. Ano que vem a gente tem programado colocar esses dados, a partir da declaração de produção. E aí a cervejaria vai informar naquele momento se aquele produto é próprio ou é pra terceiros. […] A gente vai ter a radiografia completa, de produto a produto produzido pela fábrica, e se for produção para outra cervejaria vamos ligar a cervejaria cigana a um CNPJ.

 

Desde a criação do Anuário da Cerveja, notamos o crescimento do número de registro de novas cervejarias, mas nunca o número de cervejarias que fecharam.  O número nos anuários demonstra o crescimento apesar das fábricas encerrarem as suas atividades? 

 

Vitor em 29’09’’: O que sai no gráfico é esse saldo já. Novos registros, menos registros cancelados. Em todos os estados, a gente não teve saldo negativo esse ano. Nesse abate com cervejarias que fecharam, ou empata o número do ano anterior, ou há crescimento. No anuário do ano passado a gente trouxe esses números “x estabelecimentos fecharam nos estados”. Então para essa edição de 2023, a gente pensou em reduzir o texto e focar na imagem visual. Por isso, não trouxemos essa interpretação. Mas aquilo demonstrado no gráfico já é essa pontuação. 

 

Lud diz que com essa informação, seria possível entender movimentos econômicos dos Estados; e quem sabe identificar onde as políticas públicas de incentivos fiscais poderiam ser aplicadas.

 

Qual é o tamanho da produção que corresponde às cervejas artesanais? 


Dois homens usando avental; um deles está anotando dados sobre a cerveja, e o outro está com o copo de cerveja em mãos. Ambos estão numa fábricaVitor em 38’41’’: Acho que essa indagação esbarra na questão: o que é cerveja artesanal? Qual é o limite? Em que momento essa cervejaria artesanal deixa de ser artesanal? A gente não tem esse parâmetro definido em norma. Com outras cervejarias, a gente tem um decreto. Exemplo: suco e polpa artesanal. Com as cervejas, a gente não tem essas definições em lei. O que dá pra fazer então? Porte da empresa em CNPJ. Mas usar o termo cerveja artesanal para se pegar números, não temos definido. 

 

A produção agrícola também está entre as áreas de competência do MAPA. Existe a perspectiva de trazer para o anuário dados sobre a produção de lúpulo e cevada nacionais?

 

Vitor em 46’23’’: Vamos lá, a gente precisa ter os dados pra então tornar público. Embora a gente tenha essa fiscalização dessas matérias primas, poucos dados existem em relação a elas. Porque diferente da cerveja, não temos registro de empresas que produzem a cevada, que fazem malteação. Então podemos trazer alguns números, mas não com o mesmo peso dos dados das cervejas. […] Quando você traz a cevada para um fim cervejeiro, a gente consegue o número da importação, mas em contrapartida, não temos o número da produção nacional, porque legalmente não exigimos isso. 

Obrigada, Vitor, por esclarecer tantas questões!

Essa pauta foi construída com a participação dos nossos mecenas. Se você quer fazer parte desse movimento, vire um mecenas do Surra de Lúpulo. A gente agradece o alexcrafbeer, mau_cervejando, mauriciogrille e sandro gomes pelas perguntas enviadas.

 

✨ Se você gostou desse episódio, com certeza também vai gostar de: #164: Conexão Cerveja Brasil com Giba, da ABRACERVA

🍻 O que bebemos durante o programa? Vitor bebe água; Lud bebe Narcose, Public Good IPA; Leandro bebe London Pride.

Continue ouvindo

Episódios relacionados

Ep. 316 julho 2, 2026 · com Fernanda Brito

“Quem fala com todo mundo não fala com ninguém”: como a Ruera construiu território de marca na cerveja artesanal

"Quem quer falar com todo mundo, fala em silêncio." Ludmyla Almeida conversa com Fernanda Brito, sócia da Ruera, sobre território de marca, construção de comunidade e os desafios de criar uma cervejaria independente com identidade forte em um mercado cada vez mais competitivo.

Veja post completo →
1:08:09
Ep. 315 junho 25, 2026

Malzbier: a cerveja que muita gente bebe, poucos assumem, e que representa 28% da produção brasileira

Muito além da cerveja doce, a Malzbier carrega uma trajetória centenária que mistura nutrição, propaganda, cultura cervejeira e tradição industrial no Brasil.

Veja post completo →
Ep. 314 junho 18, 2026

Envelhecimento, produtividade e parecer bem: a pressão que não para

Um debate sobre envelhecimento, menopausa, maternidade e a pressão constante por performance no trabalho e na vida.

Veja post completo →